Preservação com participação e soberania

Cooperativa extrativista mantém eixos estratégicos de produção

A Cooperativa Agroextrativista do Mapiá e Médio Purus - Cooperar mantém firme três eixos estratégicos de produção que são a Preservação da Floresta em Pé; Gestão Participativa e Soberania Alimentar.

A Preservação da Floresta em Pé promove a proteção, defesa, recuperação e preservação da Floresta Amazônica a partir de novos modelos de produção, comércio, consumo e crédito, com ênfase na inclusão socioprodutiva de comunidades ribeirinhas, a partir de atividades produtivas com viabilidade econômica.

Já a Gestão Participativa está concentrada nos sete diferentes núcleos produtivos e unidades de produção vinculadas. A cooperativa se organiza de forma a dar autonomia aos núcleos e unidades dentro de suas cadeias produtivas. Isso organiza e fomenta as prestações de contas e o planejamento de ações e prioridades dos grupos. A Cooperar vem também trabalhando para que as decisões de gestão da cooperativa sejam discutidas em pré-assembleias, com todos os núcleos e cooperados presentes ou representados.

Aliada aos outros dois eixos, a Soberania Alimentar promove a melhoria da qualidade de vida, com base na cultura local, aprimorando os padrões atuais de produção, comercialização, consumo, saneamento, segurança alimentar e educação.

A Cooperar foi fundada por um grupo de extrativistas da região do Médio Purus/Amazônia, em 2003. Está sediada na Comunidade Céu do Mapiá, dentro da Floresta Nacional do Purus, município de Pauini - AM, e conta com um entreposto comercial e industrial no município de Boca do Acre - AM.

A área de atuação da cooperativa se estende ao longo do Rio Purus, reunindo mais de 400 cooperados, em uma região marcada por um mosaico de proteção ambiental que integram Florestas Nacionais, Terras Indígenas e Reservas Extrativistas. Entretanto, a região apresenta um dos piores índices de desenvolvimento humano (IDH) do país (IBGE, 2013), evidenciando a vulnerabilidade socioeconômica das populações residentes e reiterando a importância da cooperativa na região.

Unidades Produtivas e Núcleos de Produção

A Cooperar abrange uma grande extensão territorial. Com isso, os cooperados contam com diferentes unidades produtivas, como cacau silvestre, manejo de produtos florestais madeireiros, óleos vegetais, produção e beneficiamento de alimentos, fitoterápicos, cosméticos e casca de mulateiro, castanha do Brasil e artesanato.

Essas unidades produtivas se organizam em sete núcleos de produção, divididos por região geográfica, que abrangem diversas comunidades, de modo a facilitar a reunião e empoderamento dos cooperados em cada território de atuação. Hoje a Cooperar conta com três núcleos na Resex Arapixi e um na Terra Indígena Camicuã, município de Boca do Acre, voltados para a extração e beneficiamento do cacau silvestre; um na Fazenda São Sebastião e outro na Flona do Purus, município de Pauini, voltados, respectivamente, para extração e beneficiamento do cacau silvestre e da casca do mulateiro, e para o manejo de produtos florestais madeireiros; e um na Resex Médio Purus, município de Lábrea, voltado para a extração e beneficiamento do cacau silvestre.

Cooperar e INE

O Instituto Nova Era, desde fevereiro de 2019, através do Programa AmaGaia - em parceria com o ISAVIÇOSA - fomenta o processo de fortalecimento institucional da Cooperar, fornecendo apoios financeiro e técnico, no suporte a quatro frentes de ação principais: fortalecimento da gestão, aceleração das cadeias produtivas do cacau e óleos vegetais, manejo de produtos florestais madeireiros e produção e beneficiamento de alimentos.

Em um processo de incubação da cooperativa, o INE oferece assessoria, capacitação e treinamentos à diretoria administrativa, financeira e equipe em geral, visando a colaborar na melhoria da organização, planejamento e gestão da instituição para um caminho cada vez mais participativo, empoderado, autônomo e sustentável.

Em setembro de 2019, o INE iniciou também um trabalho de apoio à estruturação das cadeias produtivas do cacau e dos óleos vegetais, com disponibilização de assistência técnica, realização de ações de melhoria da infraestrutura da fábrica de óleos, da gestão produtiva da Usina de Óleos, bem como a gestão administrativo-financeiro e comercial da respectiva unidade produtiva, como foco na produção de produtos e co-produtos, com agregação de valor aos frutos oleaginosos encontrados nas áreas das famílias cooperadas.  

Manejo de produtos florestais madeireiros

O INE apoia a Cooperar no projeto de Manejo Florestal Comunitário Sustentável da Vila Céu do Mapiá, pioneiro na Amazônia brasileira. Já foram feitas três colheitas florestais, envolvendo mais de 40 comunitários, e encontra-se em construção a Oficina Escola de Serraria e Marcenaria, voltada à profissionalização de jovens e adultos e à agregação de valor aos produtos provenientes da madeira manejada. Foi obtido também o selo FSC® (Forest Stewardship Council - Conselho de Manejo Florestal) que certifica o Manejo Florestal Comunitário da Vila Céu do Mapiá, como um empreendimento responsável que contribui para a conservação dos recursos naturais, proporciona condições dignas e justas para os trabalhadores e promove boas relações com a comunidade.

Soberania alimentar

Com apoio do INE, para esta frente de ação, foi criado o Programa de Agroecologia e Soberania Alimentar da Vila Céu do Mapiá e comunidades do entorno. O Programa iniciou suas ações em 2019, visando estruturar o Núcleo de Agroecologia e Soberania Alimentar da Vila Céu do Mapiá; ampliar e diversificar a produção local de alimentos; estruturar unidades produtivas demonstrativas; fortalecer a comercialização dos produtos locais; promover formações e capacitações em práticas agroecológicas e saúde integral; e criar sistemas de microcrédito com base na economia solidária.

Visão dos cooperados e diretores

Para o barqueiro Sebastião Nobre de Oliveira que atua na RESEX Arapixi, Comunidade Maracajú II, o trabalho da Cooperar é de grande importância. “É uma das organizações que está dentro da comunidade trazendo vários benefícios, fazendo desde serviço de preservação ambiental, gerando renda e melhoria de vida para os produtores, além de descobrir vários potenciais de frutos dentro da comunidade, sempre incentivando os moradores a preservar e produzir cada vez mais. Como exemplo o cacau que antes não era vendido.”

Deuziane de Oliveira e Souza, quebradeira de cacau, o serviço que ela realiza traz melhoria na condição de vida da família. “Aumenta a renda nesse período do ano e principalmente nesse momento difícil de pandemia, como também ajuda muitas famílias da nossa comunidade que não são cooperados, gerando trabalho.”

Para Maria Nobre de Oliveira, líder e uma das moradoras mais antigas da Comunidade Maracaju II – Resex Arapixi, “a relação da Cooperar é muito boa com a nossa comunidade, pois na época do cacau é nosso ganha pão dentro da Comunidade; e fora do período do cacau, o barco da cooperativa é cedido para as atividades sociais da nossa comunidade. Essa cooperativa é nossa vida, nossa esperança dentro da Comunidade.”

A cooperativa é também reconhecida pelos parceiros. “No ano de 2019, fiz uma compra de madeira da Cooperar, onde pude testemunhar a seriedade e o empenho em todo o processo. Os desafios para viabilizar economicamente o manejo florestal comunitário são grandes, mas não são intransponíveis, depende fundamentalmente de encontrar participantes que entendam o processo de forma ampla, desde a floresta, passando pelo processamento industrial até o mercado. Grupos como a da Cooperar são fundamentais”, afirma George Dobré, proprietário da empresa IIBA Produtos Sustentáveis

O presidente da Cooperar, José Antônio da Conceição Camilo, faz questão de salientar o cuidado da cooperativa com seus cooperados. “Aqui não se perde nada. Depois que a gente começou a trabalhar aqui foi muito bom, porque a gente incentivou muito o produtor. Tem gente que vem de longe atrás de adubo, muda, semente. E é isso que a cooperativa quer. Promover o crescimento de quem quer mexer com extrativismo junto com a gente. Esse cacau está sendo exportado pra Alemanha e para os Estados Unidos. A gente pensa que vai crescer mais. Daqui a gente tem condição de montar uma coisa maior, esse é o nosso plano.”

José Raimundo Corrente da Silva, diretor de Produção Madeireira espera melhorar o trabalho com capacitação. “A gente só espera que essas capacitações que estamos tendo, sigam dentro de uma maneira mais positiva, mais lucrativa. Que a gente possa ter mais lucro, mais positividade para o nosso trabalho.”